quarta-feira, 21 de abril de 2010

Metalinguagem I

É um dos tipos mais legais de se ler... Antes, eu achava os textos metalinguísticos uma tremenda falta de criatividade, até me dá conta da genialidade revelada nesses textos... É mais que "a arte de escrever", é "escrever a arte de escrever" rsrsrs... falar do que se escreve ou de quem escreve, da sensação ao escrever ou mesmo falar de quem vai ler, para quem vai ler rsrs...
Vez por outra, colocarei algum aqui... mas resolvi começar com esse. Florbela é incrível... ganhou um espaço na minha vida rsrs.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Será que esse ano tem fogueira?

É água p'ra todo lado. É tanta gente desabrigada que dava para compor um bloco de carnaval "o bloco dos alagados"... não tem graça.
Sabe o que me deixa indignada? Tem uma propaganda que diz "se sua casa foi condenada pela defesa civil, deixe-a imediatamente". É muito fácil falar. Esqueceram o significado de altruísmo.
Essa chuva e todas as suas consequências me fizeram pensar em outra coisa que até então, nunca tinha pensado. Há mais desabrigados do que "desabrigados". Tem gente que não tem onde morar o tempo inteiro, independentemente da chuva; e continuarão sem onde morar, quando a chuva passar.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Palavra - Teatro Mágico

video

Olha o que eu encontrei no youtube!! Dedico aos meus leitores (caramba! como é estranho dizer isso: "meus leitores" rsrs); leitores não, meus interlocutores rsrs, prefiro assim. Para vocês, a "palavra" mais bonita!!!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Índios

Todo dia era dia de índio - Baby do Brasil

"Todo dia era dia de índio
Mas agora eles só tem
O dia 19 de abril"

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Baiano é narcisista???

Já faz um tempo que li uma matéria na revista Muito (que acompanha o jornal baiano A TARDE todos os domingos) intitulada "Baiano é narcisista" e fiquei com isso na cabeça. Tenho visto gente de todos os cantos do país falar sobre isso e discussões efervescentes nas comunidades virtuais me deixaram intrigada. Até que decidi importar essa discussão para nossa prosa. Na verdade, não me interessa o entrevistado que fez essa declaração, apenas o tema me é curioso. Lembrando que não tenciono "defender" ou afirmar os baianos enquanto narcisistas. Quero, somente, exprimir as minhas impressões.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Estamira



Quando eu assisti ESTAMIRA, eu fiquei muito, mas muito incomodada... Estamira é "louca", e muito consciente de seu distúrbio mental. Ela tem o "controle superior"... e é "divinamente" profana rsrs; cheia de "verdades"... Brigamos tanto por liberdade de expressão e, de repente, vejo que quem a possui - no sentido mais pleno - é Estamira... A princípio, pensei "ninguém a condena, ninguém a chama de herege, porque ela é louca", mas me dei conta que era como eu queria que fosse, que a "loucura" de Estamira justificasse toda a falta de censura por parte dos que estão à sua volta... até enxergar uma outra possibilidade... a tal liberdade que todos querem... Estamira representa muito mais do que se pode imaginar... quem garante que o que ela diz não é o que você tem vontade, mas não pode dizer porque é "são"?!?!

sábado, 3 de abril de 2010

"A Invasão" e "Vidas Secas"

Durante a leitura de "A Invasão" (Dias Gomes), achei alguma semelhança com "O Cortiço" (Aluísio Azevedo) e com "Jubiabá" (Jorge Amado). Mas quando fui remetida a Fabiano, Sinhá Vitória, os meninos e Baleia, de "Vidas Secas" (Graciliano Ramos), quis por ao encontro uma e outra história. Audácia não faz mal a ninguém, né?!

A Invasão (AI) - Um grupo de favelados sem teto no Rio de Janeiro; entre eles, uma família paraibana.
Vidas Secas (VS) - Uma família de retirantes sem eira nem beira no sertão nordestino.

Fiz vários recortes. Deu nisso.

Essa foi a poesia que despertou em mim uma paixão pelos textos de Elisa Lucinda... E é tão verdade que "bobeou eu tô morrendo", que às vezes eu "morro quando quero", mas também sou forte, tão forte que "tô ficando especialista em renascimento" rsrs.

No Elevador do Filho de Deus - Elisa Lucinda
 
A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um dia, falei a uma pessoa que "nunca escrevi nada que merecesse registro", e hoje, continuo pensando assim... algumas críticas, uns elogios - muito merecidos, modéstia à parte - e poucos leitores; os meus leitores eram, geralmente, escolhidos. Até então, só escrevia textos sugeridos, nem sei por quê... foi sempre assim, desde que aprendi a escrever o meu nome.